Ontem vi mais um dos bons filmes alemães deste início de século XXI. Chama-se “Sophie Scholl – Os Últimos Dias” e, como o próprio nome refere, retrata o fim da vida de uma jovem alemã de 21 anos. Sophie Scholl e o seu irmão Hans pertenciam ao grupo denominado por Rosa Branca que, durante o período da segunda guerra mundial, manteve uma oposição clandestina ao regime nazi na Alemanha. Sophie e o irmão foram presos numa manhã após distribuirem panfletos anti-regime na Universidade de Munique. Acabaram por ser condenados à pena de morte. O filme mostra os opostos entre a força e a vulnerabilidade de uma jovem que lutou por aquilo que eram as suas convicções. Apesar de alguns elementos de época, esta produção vive sobretudo dos diálogos e das boas interpretações dos seus actores, talvez com a excepção do juiz que achei um pouco estereotipada demais. A realização é sóbria, mas consegue alcançar os objectivos pretendidos.
Mas este não é um post apenas sobre um filme. Ao ver “Sophie Scholl” lembrei-me de outras produções germânicas recentes de qualidade. É o caso do excelente “A Vida dos Outros”, “A Queda”, “Adeus, Lenine” ou até “As Gémeas” (estão disponíveis para aluguer no Movies Club, passe a publicidade). Todos eles têm algo em comum. Talvez como forma de expiar pecados antigos, os alemães estão a realizar filmes sobre a sua própria história. Mas mais do que isso, fazem-no com sentido auto-crítico, e com qualidade, mesmo que o registo seja o da comédia, como em “Adeus, Lenine”. É esta capacidade que julgo faltar ainda ao cinema e até se calhar ao povo português. Estamos numa fase em que os filmes nacionais tendem a ser mais comerciais (uma boa aposta que visa aproximar o público ao cinema português) mas partindo da premissa errada de que o corpo feminino é que serve de chamariz. Uma das poucas excepções nacionais chama-se “Coisa Ruim”, um bom filme de suspense e mistério mas que não consegue captar muitas atenções.

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